Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Sobre a vitória do Brasil diante do Haiti, pode-se dizer, no máximo, que foi um jogo tedioso, apesar dos três a zero. Mas há algo mais urgente a tratar nesta crônica. Algo de grande relevância para o país, ou melhor, para o Estado brasileiro. É preciso falar de Romário. O campeão da Copa de 94 ficou no passado, agora falamos do senador Romário, do PL, partido de Valdemar Costa Neto e da família Bolsonaro.
Durante a Copa do Mundo de 2026, Romário mantém suas atividades e seu salário no Senado, exercendo o mandato de forma remota enquanto trabalha como comentarista esportivo nos Estados Unidos. E aqui vale uma pausa, querido leitor. Uma pausa para absorver a notícia com calma: o senador está na América, comentando jogos de futebol numa emissora de streaming, e o salário continua caindo, religiosamente, na conta.
Romário já tinha esgotado sua cota de licença no Senado. Tirou 120 dias de afastamento no fim de 2025, voltou em abril e, quando a Copa chegou em junho, não havia mais folga disponível no estoque. O congressista, portanto, vota projetos de lei cruciais para o Brasil dentro de uma cabine de transmissão, entre um comentário sobre o posicionamento do centroavante e outro sobre a próxima substituição.
A assessoria do senador foi rápida em explicar que não há nada ilegal. Disseram que existe uma “sessão semipresencial”, um aplicativo de votação remota e, sobretudo, uma lei que permite tudo isso.
Reeleito em 2022 pelo Rio de Janeiro, com mandato até 2031, o Baixinho ainda tem direito a mais uma Copa do Mundo no cargo: a de 2030. Quem sabe, até lá, com o avanço da tecnologia, não criem um aplicativo em que o nosso craque possa comentar os lances e votar os projetos ao mesmo tempo, sem precisar alternar entre os microfones — o da bancada do Senado e o da cabine de transmissão.











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