Tem uma coisa que a gente nunca admite: a melhor parte da vitória é quando ela quase não acontece. Se o jogo é fácil, falta história. Falta o desespero, o xingamento, a mão na testa.
O Japão abriu o placar, recuou o time e passou o resto da tarde dificultando a vida do Brasil. Empatamos com Casemiro, que finalmente acertou alguma coisa no jogo.
Nos acréscimos, apareceu Gabriel Martinelli. Tinha entrado há pouco e parecia destinado a passar despercebido, mas resolveu virar herói. Herói por um dia. No Brasil, isso já basta para garantir um cargo vitalício, pelo menos até domingo.
Vinícius Júnior quase fez um gol antológico, daqueles que mereceriam estátua em praça pública e uma lei batizando toda criança nascida a partir de 30 de junho com o nome Vinícius. Faltou o goleiro Suzuki concordar com a história. Não concordou.
E, como a gente não consegue sofrer sem procurar um culpado, desta vez o culpado é o Zico. Há mais de vinte anos, ele foi ao Japão ensinar os japoneses a jogar bola, coisa que a gente faz com o mundo inteiro, sempre com a generosidade de quem nunca imaginou que o aluno fosse aprender de verdade.
Zico ensinou organização. Ensinou que time pequeno, jogando compacto, sabendo exatamente o que não sabe fazer, derruba gigante distraído. Os japoneses anotaram tudo com a disciplina de sempre e quase estragaram a segunda-feira de mais de duzentos milhões de brasileiros.
Mas não foi desta vez. Vencemos. Estamos nas oitavas de final. E o churrasco de domingo continua de pé.










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