Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Existe uma lei simples e inevitável: toda derrota precisa de um culpado. E mesmo quando não é derrota, mesmo quando é apenas um empate com gosto de derrota, a regra continua valendo.
O culpado da vez atende por Carlo Ancelotti. Não estou dizendo que ele seja o único responsável. Estou dizendo apenas que, numa fila de culpados, ele seria o primeiro a receber a senha.
Tudo começou com a ausência de Endrick. O país inteiro queria vê-lo jogar. Sua avó queria vê-lo jogar. O cachorro da sua avó queria vê-lo jogar. Carlo não queria. E, no futebol, infelizmente, quem decide essas coisas não costuma ser o cachorro.
No lugar de Endrick jogou Igor Thiago. E Igor Thiago fez um excelente argumento a favor da titularidade de Endrick. Perdeu uma cabeçada livre, dentro da área, um lance tão feito que o goleiro já parecia resignado ao gol.
Pela direita apareceu Ibanez, improvisado na posição. O problema é que ele deu a impressão de estar improvisado também como jogador de futebol.
No meio-campo, Casemiro e Paquetá protagonizaram uma experiência fascinante: descobrir quantas vezes dois jogadores conseguem entregar a bola ao adversário.
Na frente, Raphinha confirmou uma declaração recente. Disse que não precisava provar nada para ninguém. E realmente não provou.
Vini Júnior marcou um golaço. O suficiente para reacender a esperança do torcedor brasileiro, que durou alguns minutos, que é mais ou menos o tempo que a esperança costuma durar por aqui.
Carlo percebeu o time perdido. Era difícil não perceber. No segundo tempo, trocou peças, mexeu aqui e ali, sacou Casemiro e Ibanez, colocou Danilo e Fabinho. Mais tarde saíram Igor Thiago, Raphinha e Paquetá. Entraram outros nomes, outras pernas, outras tentativas. Mas o jogo já estava decidido por uma força maior: a mediocridade. Terminou empatado. Empate, aliás, é uma invenção curiosa. É o jeito que o futebol encontrou de permitir que os dois lados saiam insatisfeitos ao mesmo tempo.
O próximo jogo é contra o Haiti, e neste momento ninguém sabe exatamente o que esperar, nem do Haiti nem do Brasil.











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