Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Eduardo é, em tese, um cara ótimo. O tipo de pessoa que aparece para ajudar quando o carro quebra, que doa para ONG de cachorro, que chama o pessoal da limpeza pelo nome e ainda engata uma conversa sobre a última rodada do brasileirão. Um bom sujeito. Só que faz meses que ninguém do escritório quer almoçar com ele.
O motivo?
Eduardo almoça com uma lentidão absurda. Vagaroso, tipo um bicho-preguiça tentando jogar futebol. Ou uma tartaruga tentando abrir uma garrafa PET. Dava pra ficar o dia inteiro nisso.
Quem é CLT sabe a regra: meia hora pra comer e o resto pra tentar resolver a vida. Almoçar com Eduardo bagunça completamente essa matemática. Ele simplesmente não termina de comer em menos de uma hora. O restaurante vai enchendo, esvaziando, mudando de gente, e o bife dele segue ali, intacto.
E quando Eduardo resolve pedir sobremesa, instala-se o pânico entre os colegas. Ninguém mais acredita em sair cedo. Um a um, vão desistindo de tudo o que existia depois: o beach tennis do fim do dia, o vinho com a esposa, o cinema com o filho.
Ah, mas é só levantar e ir embora, diria alguém tentando reduzir o problema. Só que quem é que levanta da mesa e deixa um cara que doa pra ONG terminar o almoço sozinho? Só um sem coração.
Eduardo continua sendo um cara gente boa, mas sempre sozinho no almoço. E com razão.
Deus te ajude, Eduardo.











Deixe o Seu Comentário