Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Prezada senhora síndica, quem lhe escreve é o morador do 12-B. Meu nome pouco importa, uma vez que, neste condomínio, estamos todos reduzidos a um número e uma letra. Resido aqui há quatro anos e sou, Deus sabe, um bom condômino. Pago os boletos em dia, cumprimento os vizinhos no elevador e sou generoso na caixinha de fim de ano. Digo isso não para me gabar, mas para que a senhora saiba com quem fala: alguém que nunca reclamou de nada. Até agora.
Sob a sua gestão, desapareceram o zelador Alberto, o manutencista Edgar, são-paulino convicto, o porteiro Anderson, também são-paulino, e o porteiro Souza, que não gostava de futebol e sim de MMA. No lugar deles surgiram outros colaboradores sobre os quais não sei nada, e que também não ficam tempo suficiente para que eu venha a saber.
A senhora não mora aqui. E também não aparece. Da sua gestão, o que chega até nós são os cartazes no elevador, sempre muito animados, convocando para uma “call”. A senhora conseguiu a proeza de terceirizar até a própria simpatia.
Não se pode, senhora, trocar as pessoas de um dia para o outro, sem aviso, como quem troca uma lâmpada queimada. Por isso lhe escrevo. Gostaria de uma explicação. Pode ser por carta mesmo, se for mais conveniente. Afinal, o encontro presencial parece ter entrado para a lista de coisas que a vida moderna considera desnecessárias, junto com porteiros conhecidos pelo nome e síndicas que moram no próprio condomínio.
Atenciosamente, o 12-B.










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