Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Existe uma quantidade impressionante de gente descompensada circulando pela cidade. Lelé da Cuca mesmo. Eles estão em todos os lugares: na padaria, no açougue, no mercado, na academia. Sempre prontos para disseminar teorias conspiratórias e relatos longuíssimos sobre como a esquerda está acabando com o Brasil.
Mas hoje vou ensinar você, querido leitor, como lidar com esse tipo de gente. É uma técnica antiga, passada de boca em boca, que aprendi com meu sogro — um abraço, seu Marcus.
O método é simples e cabe numa frase curta: quando alguém diz algo que você não quer discutir, aprofundar ou confirmar, responda só com duas palavras, ditas em voz baixa: pois é.
O “pois é” é uma forma educada de dizer “não quero continuar essa conversa”, sem usar nenhuma dessas palavras. É uma saída de emergência linguística, capaz de preservar a lucidez no meio de tanta insanidade.
Semana passada, precisei ir ao mercadinho do condomínio e lá estava uma vizinha do time dos Lelé da Cuca. Enquanto eu passava minhas compras, ela avisou, em tom conspiratório: não coloca CPF, não, que o governo agora está taxando as compras. Olhei para o que eu tinha na mão, um saco de bisnaguinha Panco e um suco de uva Natural One, e pensei: será mesmo que o Estado brasileiro resolveu começar sua sanha arrecadatória por esse combo?
Respondi à vizinha com pois é. Ela seguiu, falou do Haddad, da taxação do Trump e de outros delírios. No terceiro “pois é”, ela entendeu o recado, me desejou boa-noite e foi embora.
Bem, até agora o método tem sido infalível. Espero ter ajudado.











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