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Três vezes Robson

Aos 34 anos, o atacante experiente, relativamente desconhecido, decidiu que aquela terça-feira era sua.

Redação Por Redação
25 de fevereiro de 2026
Em Elias Cavalcante
A A
Três vezes Robson

Foto: Unsplash.

Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).

Na noite de terça-feira, dia 20, a cerca de quatrocentos quilômetros de São Paulo, numa cidadezinha que mal chega a cinquenta mil habitantes — e onde provavelmente ninguém atravessa a rua sem encontrar um conhecido — o futebol resolveu renascer. 

Era a quarta rodada do Campeonato Paulista. O Palmeiras foi até Novo Horizonte enfrentar o Grêmio Novorizontino, no estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, o Jorjão. Pois foi no Jorjão que pouco mais de dez mil pessoas assistiram a um respeitável 4 a 0 para o time da casa. A maior derrota do Palmeiras sob o comando de Abel Ferreira. 

Mas não é o placar que move esta crônica. O que importa é o modo. Porque, no futebol como na vida, a tragédia não está no fato, mas na forma como ele se impõe.

E é aí que entra o Robson.

Robson. Apenas Robson. Nada de sobrenome estrangeiro, nada de nome duplo com hífen. Robson é nome de cunhado simpático, de colega de trabalho gente boa, de sujeito que empresta a furadeira e ainda pergunta se você não quer uma cerveja. Robson é o brasileiro médio. E talvez por isso mesmo seja tão perigoso subestimá-lo. Aos 34 anos, o atacante experiente, relativamente desconhecido, decidiu que aquela terça-feira era sua. Marcou três gols. Deixando incrédulos tanto os palmeirenses quanto os próprios torcedores do Novorizontino, que checaram o telão para confirmar se era isso mesmo.

O primeiro veio aos 20 minutos do primeiro tempo. Escanteio cobrado por Maykon. Flaco López tenta cortar, falha com uma delicadeza e a bola encontra Robson que cabeceia livre. Gol. Ali, naquele instante, o Palmeiras ainda não sabia, mas sua noite tinha acabado. 

Aos 42 minutos, o roteiro se repete, com pequenas variações. Mayk avança pela esquerda, cruza de longe, e Robson aparece outra vez. Sempre no lugar certo. Finaliza de primeira. Segundo gol. O clima já era de “isso não está acontecendo”.

Veio o segundo tempo, essa parte do jogo em que acreditamos, ingenuamente, em redenções. Mas o destino estava pouco interessado em finais edificantes. Aos 16 minutos, Lomba tenta sair jogando, Luighi se atrapalha com a bola e a sobra cai nos pés de quem? Robson. Claro. Empurra para o gol. Terceiro.

Surgia o herói improvável. Um herói do povo, correndo solto pela grama do Jorjão.

O simpático time do interior paulista, com uma folha mensal de 1,5 milhão, atropelando o Palmeiras, que só em 2025, investiu 700 milhões. Davi contra Golias. Ou melhor, Robson contra Golias.

Ah, sim. Teve o quarto gol, marcado por Hélio Borges. Mas isso é detalhe. Algumas noites pertencem a um único nome. E nessa terça-feira, o futebol foi todo de Robson.

Tags: colunacoluna de opiniãocoluna elias cavalcanteelias cavalcanteopiniã0robson
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