O aumento dos registros de sarampo em São Paulo e o avanço da doença nos Estados Unidos colocaram as autoridades de saúde em alerta. Em meio à circulação do vírus em diferentes regiões das Américas, o Ministério da Saúde reforçou, nesta semana, a importância da vacinação e das ações de vigilância para evitar a transmissão sustentada da doença no Brasil.
Em São Paulo, o número de casos confirmados chegou a 40 em 2026, segundo atualização divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde. Os registros estão concentrados principalmente na capital paulista, onde foram identificadas cadeias de transmissão acompanhadas pelas equipes de vigilância desde junho.
De acordo com a Agência Brasil, os três casos mais recentes confirmados no estado envolvem dois homens, de 18 e 21 anos, e uma bebê de 1 ano, todos moradores da capital. Apesar do crescimento dos registros, o monitoramento das autoridades aponta tendência de redução da transmissão.
O Ministério da Saúde, em sua atualização epidemiológica, contabiliza 42 casos confirmados no Brasil até a semana epidemiológica 38, sendo 36 registrados em São Paulo, além de ocorrências no Amazonas e no Rio de Janeiro. A diferença em relação aos números estaduais está relacionada às datas de fechamento e atualização das bases epidemiológicas.
São Paulo concentra maioria dos casos
Segundo o Ministério da Saúde, dos casos registrados no estado, dois ocorreram em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos, um em Santo André e os demais na capital paulista.
Diante do cenário, São Paulo adotou estratégias de intensificação da vacinação. A Secretaria Estadual de Saúde chegou a recomendar a aplicação da vacina tríplice viral para pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, independentemente da situação vacinal, como medida de contenção da transmissão.
A recomendação foi adotada diante da identificação de cadeias de transmissão e da necessidade de ampliar rapidamente a proteção da população.
A cobertura vacinal também é um dos pontos de atenção. Dados divulgados pelo governo paulista apontaram cobertura de 77,5% para a primeira dose e 65,5% para a segunda dose da vacina contra o sarampo no estado, abaixo da meta de 95% estabelecida para as duas doses.
Cenário preocupa também nos Estados Unidos
Enquanto São Paulo monitora os casos e reforça a vacinação, os Estados Unidos enfrentam um dos maiores episódios de circulação do sarampo das últimas décadas.
Segundo o Ministério da Saúde, os Estados Unidos já registram o maior número anual de casos de sarampo em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos envolvem pessoas não vacinadas ou sem informação sobre a situação vacinal. A maioria dos infectados tem até 19 anos.
Dados divulgados nesta semana apontam quase 3.900 casos de sarampo em território norte-americano em 2026, configurando o pior ano para a doença no país desde 1991.
A situação é particularmente grave na Pensilvânia, que já ultrapassou 1.000 casos e registra cinco mortes, no que é apontado como o maior surto de sarampo do estado em mais de três décadas. O estado também contabiliza centenas de hospitalizações.
Em Nova York, o governo estadual declarou situação de emergência após o registro de 108 casos até 3 de outubro. Desde julho, 92 dessas ocorrências foram registradas em áreas rurais de 18 condados com baixa cobertura vacinal.
Brasil reforça vigilância diante do avanço nas Américas
O Ministério da Saúde informou que, até 5 de outubro, o Brasil havia registrado 52 casos importados de sarampo, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. A pasta ressalta, porém, que o país continua sem circulação endêmica do vírus.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados nas Américas em 2026, cenário que aumenta o risco de novas introduções do vírus em outros países.
Mesmo diante dos casos registrados, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. O país foi recertificado pela OPAS em novembro de 2024, após a interrupção da transmissão sustentada.
Vacinação é principal forma de prevenção
O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode provocar complicações, principalmente em crianças pequenas. A principal forma de prevenção é a vacinação.
A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com doses em atraso procurem uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal e atualizar a caderneta. A pasta também reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais para evitar que casos importados resultem em cadeias de transmissão prolongadas no país.
O cenário atual mostra que, embora o Brasil não tenha retomado a circulação endêmica do sarampo, a presença de casos em São Paulo e o avanço expressivo da doença nos Estados Unidos e em outros países das Américas exigem atenção contínua das autoridades e da população.











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