Se você tem o privilégio de conviver com uma criança, com certeza já foi surpreendida com a pergunta “Qual superpoder você queria ter?”.
Para respondê-la, é possível que você tenha feito uma viagem à sua própria infância, ou talvez tenha permanecido no presente mesmo, refletindo sobre qual poder tornaria melhor o mundo em que vivemos hoje.
Quando criança, eu adoraria poder voar! Hoje eu adoraria acabar com a fome no mundo, assim como gostaria de ter o superpoder de curar a depressão e o de abolir o assédio às nossas meninas e mulheres.
Eu não sei de onde viriam esses superpoderes que eu adoraria ter, mas posso te mostrar o caminho de outro superpoder: o da invisibilidade. Que tal?
Para se tornar invisível, você vai precisar praticar um pouquinho.
Comece silenciando seus medos, seus sonhos, seus sentimentos. Guarde-os só para você.
Não aborreça os outros com seus pensamentos, afinal eles já têm suas próprias ocupações.
Não celebre suas conquistas, uma vez que não passam de mera obrigação. Não emita sua opinião se ela for gerar embates.
Jamais se envolva em assuntos polêmicos como política, patriarcado, racismo, religião, machismo, homofobia, elitismo.
Diga sim mesmo quando seu desejo for dizer não. Mantenha os parentes e os amigos por perto, mesmo que tóxicos, afinal parente é família, e família vem sempre em primeiro lugar, não é mesmo?
O mesmo para amizades de longa data: ainda que já não te façam bem, são amizades antigas, artigo raro hoje em dia.
Adote em seu vocabulário expressões como “tanto faz”, “pode ser“, “escolhe você”, “tudo bem, por mim”, “o que vocês preferirem”.
Segure o choro o máximo que puder, mas, se não conseguir mais conter, procure um lugar escondidinho… dentro do guarda-roupa ou durante o banho são as melhores opções.
E, se for questionado, diga que ouviu uma música triste, assistiu a um filme emocionante, ou que estava conversando com Deus. Se você for mulher cisgênero, experimente alegar TPM. Sempre funciona.
Como eu disse, a invisibilidade é um superpoder que requer prática, mas o bom é que você pode alterar a ordem dos exercícios e a frequência de cada um, no final o resultado será o mesmo: alguém invisível, não apenas para os outros, mas também aos seus próprios olhos.
Talita Pinheiro
Psicóloga, Escritora e Palestrante
CRP 06/206157










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