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O pior “espetáculo” que assisti na vida (se é que podemos assim chamar)

Não sei se chamaria o que vi de piada ou de insulto coletivo. Me senti agredido do início ao fim. Foi degradante, deselegante e desrespeitoso. Há cada minuto, a agonia aumentava!

Redação Por Redação
7 de agosto de 2026
Em Marcos Barbosa
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O pior “espetáculo” que assisti na vida (se é que podemos assim chamar)

Foto: Banco de imagens / Unsplash.

Texto: Marcos Barbosa (@marcosbarbosajornalista).

O que buscamos fazer numa sexta-feira à noite senão relaxar e garantir um momento mais tranquilo com boas risadas na companhia de quem gostamos?

Bem, foi isso que eu pensei ao escolher assistir um stand-up no teatro.

Desavisado e desconhecendo quem eram os “artistas”, fui mesmo assim, afinal, rir é sempre bem-vindo. 

A sessão começa bem, algumas piadas divergem um pouco de minha ideologia, mas o assassinato do respeito começa no segundo ato.

Dali pra frente o que presenciei foi machismo puro, homofobia, gordofobia e falta de respeito à dor das pessoas. Só não teve piada racista porque tenho certeza que sabem ser crime. Mas esquecem que homofobia também é. 

E como driblar falas homofóbicas? Simples! No fim de cada frase é só falar em tom de deboche “homofobia, hein?”.

Não sei se chamaria o que vi de piada ou de insulto coletivo. Me senti agredido do início ao fim. Foi degradante, deselegante e desrespeitoso. A cada minuto, a agonia aumentava!

Aos que vão ler esse texto, já sei que dirão estar tentando censurar o humor. 

Mas gozar assim de assuntos tão delicados é fazer humor? Analise grandes artistas como Tatá Werneck, Fábio Porchat, Paul Cabbanes, Robson Nunes, Tom Cavalcante, Dani Calabresa, Adnet  e muitos outros – alguns que já tive inclusive a oportunidade de assistir, e que garanto, fazem rir sem ofender. Esse é o real humor e o que a gente busca numa sexta-feira à noite.

O que passa disso não vale a pena, garanto!

Aos curiosos, assistimos ao “A série B do 4 amigos”. Por mim, não diria o nome pra não fazer publicidade gratuita. Mas como sei que não serei o único desavisado a ir assistir, vale a pena deixar registrado o lembrete aqui.

Tive que ouvir absurdos como o significado de cada letra da sigla LGBTQIAPN+ totalmente deturpado. “Lésbicas, Gays, Bichas, Qualquer coisa…” e por aí vai. 

Piadas relacionadas a sentar, chupar, hétero flex e outras que pareciam ter sido escritas por um adolescente rebelde da 7ª série no auge da puberdade, e que se julga muito engraçado. O mais triste foi ouvir tanta gente gargalhar e aplaudir como se aquilo realmente fosse inteligente e disruptivo. Repugnante!

Às mulheres, não faltaram piadas sobre o órgão genital, calcinha e a submissão ao homem.

Aos obesos, relacionaram questões de direito e dificuldades reais como assentos pequenos em voos comerciais para quem possui tal comorbidade, com a falta de vontade em emagrecer. Pra variar relacionando o “comer muito e errado” com questões de peso, como se essa fosse a única causa, ignorando qualquer questão médica, hereditária ou de saúde. Thaís Carla, dançarina e influenciadora digital, foi massacrada. Tudo porque é ativista na causa. Eu dela, ao tomar conhecimento sobre o assunto, processaria com toda certeza.

Mas o que falar de pessoas que riem e debocham até de quem foi acometido por câncer e perdeu a vida? Pois é, o texto e a peça foram ladeira abaixo do início ao fim. Quando se achava que não dava pra piorar, Dihh Lopes e Marcio Donato davam um jeito de piorar.

No início do espetáculo, eles mencionaram que normalmente costumam receber um público pequeno e que muitos assentos acabam por ficarem vazios nos teatros que passam. Autoexplicativo! Ninguém sai de casa para ser agredido de tal forma. Ninguém quer gastar dinheiro duas vezes, achando que vai sorrir, e no fim sair com todos os gatilhos ativos. 

Ao tratarem de todos esses temas como “zueira” ou “apenas humor”, chancelam àqueles que pensam realmente de tal forma, poder exercer o direito de tratar assuntos tão delicados e importantes da mesma forma: “expressando minha opinião”.

Não querendo me prolongar mais, classifico: Não podemos dar espaço para pessoas como essas falarem – com o respeito da palavra – tanta merda, e mesmo assim, receberem aplausos. Precisamos ter mais crivo nas escolhas e no consumo que fazemos. E que fique claro que não é engraçado se alguém se sente ofendido. Humor é outra coisa.

Tags: a série b do 4 amigoscoluna de opiniãocoluna marcos barbosaculturamarcos barbosaopiniãoteatro
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