Texto: Felipe Gonçalves (@eufelipegoncalves).
Vamos falar a verdade, sem eufemismos? Tá tudo muito ruim.
Eu não conheço praticamente ninguém da minha geração (millennials, infelizmente) que esteja realmente bem profissionalmente. Pensando melhor, até tenho dois amigos que ganham bem. Mas, em troca, venderam a alma e seguem sobrevivendo (até agora) à base de burnout.
Na minha área, então, nem se fala… Marketing, comunicação, publicidade. As empresas querem contratar um único profissional para fazer o trabalho de um departamento inteiro de marketing. Tudo isso, claro, por um salário de sobrevivência. Legal, né?
Isso quando não aparece o famigerado PJtão. Aquele que é prestador de serviços só no papel, porque, na prática, tem horário pra entrar e sair, subordinação, microgerenciamento, cobranças de funcionário e muito, mas MUITO abuso. Só os direitos trabalhistas é que ficam de fora. Conveniente, né?
Sei não, mas às vezes parece que estudar já não vale mais a pena. Melhor investir na academia, cuidar da alimentação e virar padrão. Pelo menos o OnlyFans ou até mesmo a carreira de influencer digital sem conteúdo útil parecem estar dando mais retorno do que anos de estudo, experiência e qualificação.
E depois da IA, então? Procurar emprego virou praticamente um esporte de resistência. Os recrutadores mal leem os currículos. Você passa horas adaptando CV, escrevendo carta de apresentação, preenchendo formulários intermináveis e, no fim, recebe um e-mail automático de rejeição. Quando recebe, né?
Vaga decente? Só com indicação. E das boas, viu? Porque, pra conseguir furar a barreira dos filtros automatizados de recrutamento, parece que já não basta ter experiência, formação ou competência. Tem que conhecer a pessoa certa.
Ai, ai… E ainda tem gente louca pra negociar diretamente com o patrão, como se estivéssemos todos em pé de igualdade nessa relação.
A verdade é que estão conseguindo exatamente o que queriam: precarizar o trabalho, enfraquecer os direitos trabalhistas e transformar a exploração em algo absolutamente normal. E isso não acontece só no Brasil, viu? É um fenômeno que se espalha pelo mundo.
Morando aqui na gringa, isso fica ainda mais evidente. O imigrante é visto como mão de obra barata,. E, quando falamos de boas oportunidades, salários dignos e possibilidades reais de crescimento, a desigualdade de tratamento fica escancarada. Em muitos ambientes, parece que ser loiro de “zóio” azul ainda abre mais portas do que qualquer diploma ou experiência profissional, meu bem.
E o mais revoltante é perceber como tudo isso foi sendo normalizado. Jornadas abusivas viraram “vestir a camisa”. Acúmulo de funções virou “perfil multidisciplinar”. Salário baixo virou “oportunidade de crescimento”. E exploração virou “cultura de alta performance”.
Mudaram os nomes, sofisticaram os discursos, mas a lógica continua a mesma: extrair o máximo de quem trabalha e devolver o mínimo possível.
A escravidão moderna, em suas diferentes formas de exploração, não é exatamente uma novidade. Mas parece que estamos tão ocupados tentando sobreviver que já nem temos tempo de questionar o absurdo que virou trabalhar.
E o pior? Ainda querem que a gente agradeça pela oportunidade. Te contar, viu. Oh Gosh!










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