Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante)
Quanto mais a ciência avança, mais a vida vai ficando inviável. Parece frase pescada num episódio do Choque de Cultura. Eu sei. Parece frase de tio bolsonarista. Eu sei. Mas tenha paciência comigo. Exemplos não faltam. Comecemos pela água. Houve um tempo em que a vida era simples: dois litros por dia. Uma garrafinha de manhã, outra à tarde, um copo antes de dormir e pronto. Você já podia se sentir uma pessoa saudável. Mal deu tempo de decorar a conta e a ciência voltou com a calculadora na mão. Não são dois litros coisa nenhuma. São três, ou quatro. Depende do peso e da altura e do metabolismo.
Com exercício físico aconteceu o mesmo. Antes era dois ou três dias por semana, intercalados. Uma corridinha leve, uma musculação sem pressa, tempo suficiente para suar e ainda reclamar da vida. Hoje não. Hoje é no mínimo seis dias. Descanso só no domingo, e olhe lá, porque domingo bom, segundo os novos estudos, é domingo com um cardiozinho pra não enferrujar.
E o café da manhã? Ah, o café da manhã. Pão na chapa com requeijão ou manteiga. Café com açúcar. E talvez um mamão, só para fingir preocupação com o intestino. Hoje você acorda e enfrenta um dilema termodinâmico. O ovo, coitado, vive esse eterno efeito sanfona moral. Num ano é o vilão das artérias, o pequeno Hulk do colesterol pronto para esmagar seu coração. No outro, vira superalimento. Proteína sagrada.
Agora, querido leitor, lhe pergunto: será mesmo que não vale a pena ser um pouquinho negacionista? Nada grave, só o suficiente para passar manteiga no pão e tomar café com açúcar.











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