Texto: Mariana Ciscato (@mariciscato).
Cada ano que começa, desde que o mundo é mundo, vem acompanhado com uma enxurrada de frases motivacionais sobre novos ciclos, recomeços e planos renovados. Foi o jeito que a humanidade encontrou de não surtar perante a continuidade e a incerteza da vida. Quando o relógio do dia 31 de dezembro chega às 23h59 dá um certo frio na barriga, uma sensação de algo findando, uma esperança maluca sobre qualquer coisa.
A maioria das pessoas passa essa virada definindo metas pessoais, elencando prioridades, desenhando escolhas e até montando a personalidade que pretendem sustentar pelos doze meses seguintes.
Comigo não é diferente. Eu sempre fui a pessoa dos planners, vision board, o pacote completo. Mas ao entrar em 2025 eu estava num fundo de poço tão fundo que não conseguia decidir nem por onde começar a subida. Pela primeira vez desde que me entendo como adulta e responsável pelas próprias escolhas, não fiz plano nenhum. Deixei a vida me levar.
E, ainda assim, foi um ano bom, tive conquistas importantes na carreira, ingressei em um mestrado, fui muito feliz realizando alguns sonhos. Ao mesmo tempo, me distanciei de coisas muito centrais, e essa contradição também fez parte do caminho.
Desde que ouvi o pensamento de Nêgo Bispo, um grande líder quilombola, filósofo, escritor e poeta, que ao invés de pensarmos em caminhos lineares e convencionais, podemos pensar em encruzilhadas – ou seja, múltiplos caminhos, escolhas e possibilidades – eu tenho uma certeza: não existe caminho errado.
Existem caminhos mais longos, outros mais espinhosos, é verdade. Mas se foi você quem escolheu, então aquele caminho é seu — e, de algum modo, você precisava passar por ele. Não importa qual trilha esteja sendo percorrida: ela sempre acaba nos levando ao que nos pertence.
Sei que pode parecer filosófico demais, até um pouco místico. Mas não é exatamente assim que os primeiros minutos do ano se apresentam? Um pouco de mistério, um pouco de intuição, um pouco de desejo em acreditar.
Eu ainda faço planos em janeiro, sim. Mas eles são muito mais sobre como eu quero caminhar do que onde quero chegar. São escolhas e práticas diárias que me permitirão continuar, seja qual for o caminho que eu seguir – planejado ou não.
“Quem nunca passou por uma encruzilhada não sabe escolher caminhos” Nêgo Bispo.











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