Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante)
Trocar de carro deveria ser simples. Você chega, escolhe o carro desejado, alguém olha o seu, faz umas contas e, pronto, negócio fechado. Todos voltam felizes para casa. Mas isso nunca acontece. Essa cena, aliás, soaria forçada até numa novela das seis. Faltaria conflito. O público estranharia.
Na vida real, trocar de carro é entrar num submundo com riscos enormes de ser enganado. Você pode estar comprando uma bomba que em breve vai explodir na sua mão, um veículo que dará tantos problemas que fará o seu contato de emergência ser o mecânico.
Isso porque em toda venda de carro há um malandro e um otário. A única dúvida é quem você será. E como geralmente costumo ser eu o otário, ando me preparando. Agora, sempre que entro numa concessionária, observo com atenção redobrada tentando identificar os sinais. O otário costuma balançar a cabeça com frequência, dizer “entendi” sem ter entendido nada e rir nos momentos errados. O malandro, por sua vez, oferece café, chama você pelo nome e começa frases com “vou ser muito sincero com você”.
“Mas você analisa o vendedor antes do carro?”, perguntará o leitor com espanto. A resposta é sim. De mecânica entendo pouco, o suficiente para saber o quanto não sei. E mesmo aqueles que dominam pistões, válvulas e engrenagens podem, com alguma facilidade, ser conduzidos por atalhos pouco honestos.
Eu sei. O carnaval está aí e eu aqui falando de trocar de carro, de vendedor, de concessionária. Perdoem-me. Sou desses que se ocupam das pequenas aflições.
De toda forma, desejo a todos um carnaval farto em alegria e leves irresponsabilidades. E passada a folia, caso alguém se interesse: estou vendendo uma Renegade 2018, pouca quilometragem, carro impecável.
Interessados, tratar aqui.











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