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Não chame minha picanha de proteína

O garçom surgiu trazendo uma peça de picanha no espeto, mal passada, com a gordurinha amarela nas bordas reluzindo sob a luz do salão, uma beleza obscena.

Redação Por Redação
18 de janeiro de 2026
Em Elias Cavalcante
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Não chame minha picanha de proteína

Foto: Reprodução.

Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante)

Eu estava numa churrascaria e na mesa ao lado um casal conversava animadamente sobre suplementos, whey protein, creatina, tênis de placa, meia compressora, planilha de treinos e zonas de esforço. Eu ouvia, com mais curiosidade do que julgamento. Pelo menos no começo. O julgamento veio depois.

O garçom surgiu trazendo uma peça de picanha no espeto, mal passada, com a gordurinha amarela nas bordas reluzindo sob a luz do salão, uma beleza obscena. Aproximou-se com um sorriso malandro de quem sabia exatamente o poder que tinha nas mãos. O casal fitness se olhou e o homem, sem qualquer sombra de vergonha, disse em voz alta:

— Vamos comer essa proteína.

O sorriso do garçom desapareceu. Foi possível identificar o segundo exato em que ele entendeu que já não carregava uma picanha, carregava uma proteína. E ninguém merecia isso. Fatiou a carne triste e abatido, os olhos miúdos, visivelmente decepcionado com a profissão.

A cena me comoveu. Ouvir alguém chamar picanha de proteína, assim, no seco, como quem chama um poema de “conteúdo textual”. E o pior: dizer isso na frente de um garçom. Um profissional que vive da beleza sonora de passar entre as mesas e anunciar, com a voz de esperança:

— Vão querer picanha?

E então a família, em coro, responde:

— Vamos, sim, por favor.

A palavra “picanha” é uma preliminar. Ela vem antes da faca, antes do sal grosso, antes da primeira mordida. A palavra prepara o espírito. “Proteína”, não. “Proteína” é coisa que se mede, se calcula, se dissolve na água morna.

Foi então que eu, num impulso heroico, me levantei da mesa. Olhei fixamente para o meliante e gritei:

— Olha aqui, amigão. Você pode exercer sua fé no mundo fitness como quiser. Mas saiba que aqui chamamos as coisas pelo nome, e isto é uma picanha, e não proteína. Entendeu? PI-CA-NHA!

O garçom me olhou emocionado. As pessoas ao redor aplaudiram. Fui filmado, ovacionado. Ganhei uma mesa com meu nome na churrascaria e entradas VIP de segunda a quinta.

Tudo isso eu imaginei.

Na realidade, o homem devia ter uns quarenta centímetros de braço, dois metros de altura e uma cara que claramente não aceitava diálogo. Além do mais, almoço não é o momento de confrontar ninguém. 

Continuei sentado. Pedi a picanha. E torci para que ninguém a chamasse de proteína de novo.

Tags: colunacoluna de opiniãoelias cavalcantepicanhaproteína
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