Um racista não deixa de ser racista como quem larga o cigarro depois de ver aquela foto de pulmão estragado no verso do maço. Ele também não se converte porque alguém, com voz mansa e cara de preocupação, explicou que “isso é feio”. Existe nele algo mais firme, uma crença de que o mundo é organizado em prateleiras, com gente em cima e gente embaixo.
É chato admitir isso, porque a gente gosta de acreditar que uma boa conversa resolve tudo, que a ignorância é só falta de luz e que basta abrir a cortina para a sombra sumir.
Mas a real é que, diante de certas estruturas, o diálogo gentil parece um borrifador de plantas tentando apagar um incêndio. O que fazemos, então, com quem deixa o racismo sair para passear na rua sem medo de passar vergonha?
Aprendi um conceito interessante que resolve essa equação: a “Violência Pedagógica”. A ideia é simples e direta. Parte do princípio de que certas lições precisam de um atalho físico. Funciona assim: no exato segundo em que o sujeito soltar o seu racismo, ele recebe uma correção educativa imediata. Essa nota de rodapé pode vir em formato de soco na boca, chute no estômago ou uma voadora bem dada no meio do peito.
É um método de ensino de alta intensidade. O soco funciona como uma revisão ortográfica de urgência, o chute no estômago é uma lição prática de história, e o cruzado no queixo serve como um curso intensivo de “Respeito ao Próximo – Módulo 1”.
Pode parecer bruto, eu sei. Mas há um resultado prático nessa pedagogia: o sujeito pode até não virar um santo do dia para a noite, mas na hora em que o queixo encontra o punho fechado, rola uma clareza mental instantânea. No estalo do impacto, ele entende o erro que cometeu.
Quem sabe ela também sirva para aqueles que insistem em dizer que o racismo é sempre um caso isolado, um desvio aqui e ali, como se o resto estivesse funcionando perfeitamente.











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