Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
Nós, brasileiros, temos medo de dizer o nome do diabo, por isso inventamos tantos apelidos. Afinal, pronunciar “diabo” é convocá-lo. E, por via das dúvidas, passamos séculos encontrando outras maneiras de chamá-lo.
Cada canto o batizou conforme o seu susto. É o cão, capeta, coisa-ruim, tinhoso, sujo, canhoto, chifrudo, pé-de-cabra. No Nordeste, por exemplo, onde ele é levado mais a sério, ganhou alguns dos melhores nomes: sete-peles, moleque-do-surrão, cramulhão… São dezenas. Talvez centenas. O diabo brasileiro é a criatura mais bem-apelidada da nossa língua.
E, como a língua é viva e muda ao sabor dos tempos, quero eu, humilde cronista, contribuir com a tradição. Proponho um novo nome, à altura de tantos males antigos e recentes deste país: Bolsonaro.
Durante um tempo, confesso, pensei que essa espécie de demônio estivesse derrotada, incapaz de continuar fazendo mal. Mas o sangue é uma coisa persistente. E dele continuam brotando coisas maléficas. Flávio Bolsonaro, o diabo filho, envolvido com os fraudadores do INSS, com Daniel Vorcaro, a quem chamava de irmão e de quem recebeu R$140 milhões, envolvido com os assassinos de Marielle e com o chamado Escritório do Crime. É o homem das rachadinhas, o homem que condecorou Adriano da Nóbrega — um dos criminosos mais notórios do Rio — com a Medalha Tiradentes, quando ele ainda estava preso.
Olhando bem, percebo que fui injusto com as criaturas do nosso folclore. O Cão, o Tinhoso e o Cramulhão, coitados, ao menos mantém certa coerência histórica: assustam nos contos, aparecem na poeira das estradas e, no fim, quase sempre levam a pior. Bolsonaro é outra coisa. É o diabo em versão burocrática, familicida, com cheiro de enxofre, corrupção e escárnio. E como se não bastasse, ainda quer ser presidente.











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