Texto: Elias Cavalcante (@eliacavalcante).
No dia 3 de janeiro, anotei no meu pequeno moleskine pirata a seguinte frase: Os Estados Unidos invadiram a Venezuela. Hoje faço trinta anos. Acordei e lá estava a notícia, já conhecida, já comentada, já analisada por especialistas em geopolítica que vendiam até ontem curso de marketing digital.
Nunca escondi minha antipatia pelos yankees, sentimento básico, compartilhado por todas as pessoas minimamente sensatas. Tenho apreço pela literatura deles, pelo cinema e até por aquele hambúrguer artesanal de duzentos gramas que vem com batata rústica e culpa. Mas, a partir de 3 de janeiro, a coisa ficou pessoal. Muito pessoal.
O presidente laranja resolveu sequestrar a atenção do mundo — incluindo meus amigos e familiares — justo no dia do meu aniversário. Não bastasse estar oficialmente mais velho, precisei dividir o protagonismo com uma invasão internacional. Tinha mais foto do Maduro com aquele agasalho cafona da Nike do que mensagem para mim, que bati meu recorde pessoal de existência. Trinta anos não se repetem. E, quando finalmente chegaram, o mundo resolveu pegar fogo. E nem foi por mim.
Mas 2026 não começou só com invasão, sequestro, colonialismo reciclado e agasalho da Nike. O ano também entregou a história do jovem que resolveu passar o Réveillon numa trilha do Pico Paraná, acompanhado de uma ˜amiga˜ que decidiu deixá-lo para trás. Segundo ela, ele era muito lento. O combinado era celebrar o ano novo vendo o mundo de cima e o que ele ganhou foram cinco dias andando pela mata, bebendo água da chuva, conversando com o próprio arrependimento e repassando mentalmente todas as escolhas erradas que o levaram até ali, inclusive aquela amizade. Por sorte, ele conseguiu chegar a uma fazenda e ser resgatado.
Se tudo isso é um aviso ou só uma má introdução, ainda não sei. Mas, pelo começo, 2026 não veio para comemorar ninguém.
Happy New Year a todos.










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