Elas costumam aparecer na segunda semana de dezembro. São pequenas e simples, feitas de caixas de sapato, enfeitadas com papel vermelho um pouco gasto, com um buraco improvisado por onde passam as cédulas e um bilhete de agradecimento escrito à mão.
Um dia você entra no prédio e lá estão: discretas, humildes. É impossível ignorá-las. Só alguém muito distraído da própria humanidade conseguiria tal façanha. Ainda assim, diante delas, você se lembra do cartão estourado, da ceia, dos presentes das crianças, do aluguel de janeiro batendo à porta. E, no mesmo instante, pensa no porteiro que lhe deseja bom dia todos os dias, na moça da limpeza que mantém o condomínio em ordem, no segurança que o chama pelo nome.
O coração é tocado. Você contribui mais do que podia, certo de que o bom velhinho ficará satisfeito com a sua atitude.
Então vêm outras lembranças: a caixinha de Natal da padaria, a turma do açougue, o cabeleireiro, o dentista que lhe poupou uma cirurgia cara, os frentistas que olham o óleo, a água, os pneus, os meninos do lava-rápido. E pouco a pouco, dezembro vai lhe arrancando o dinheiro, nota por nota, em nome do espírito natalino, até que você chega ao fim do mês mais pobre, porém convencido de que, naquele ano, foi uma pessoa um pouco melhor.










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